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Conhecido por ajudar na perda de peso, medicamento agora é alvo de estudo sobre envelhecimento

Pesquisa com adultos vivendo com HIV observou redução no ritmo de envelhecimento celular após uso do medicamento, mas especialistas destacam que ainda não há comprovação de efeito antienvelhecimento

Conhecida por seu uso no tratamento do diabetes e da obesidade, a semaglutida, princípio ativo dos medicamentos Ozempic e Wegovy, voltou a chamar a atenção da comunidade científica. Um estudo publicado na revista Nature Communications identificou que o medicamento pode desacelerar marcadores do envelhecimento biológico em adultos vivendo com HIV. Após 32 semanas de tratamento, os participantes que receberam a substância apresentaram um ritmo de envelhecimento 9% menor em um dos chamados relógios epigenéticos, em comparação com o grupo que recebeu placebo. Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores reforçam que a análise foi exploratória e realizada em um grupo específico de pacientes.

Entenda o que foi avaliado

O estudo analisou 84 participantes de um ensaio clínico que reuniu adultos com HIV e lipohipertrofia, condição caracterizada pelo acúmulo de gordura na região abdominal. Desses, 45 receberam aplicações semanais de semaglutida, enquanto 39 utilizaram placebo. Os cientistas avaliaram a chamada idade epigenética, que busca medir o desgaste das células por meio de alterações químicas no DNA. Segundo os pesquisadores, a redução observada não significa que os participantes ficaram mais jovens, mas sim que alguns processos biológicos relacionados ao envelhecimento apresentaram um ritmo mais lento durante o período de acompanhamento.

Ainda não há comprovação de efeito antienvelhecimento

Os pesquisadores acreditam que a redução da gordura visceral e da inflamação, além da melhora do metabolismo, possam explicar parte dos resultados. Também existe a hipótese de que medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1 possam influenciar mecanismos ligados à atividade dos genes. No entanto, ainda não se sabe se os benefícios observados são consequência direta da perda de peso ou de uma ação específica da semaglutida sobre o envelhecimento celular. Os autores ressaltam que o estudo não comprova que o medicamento aumenta a expectativa de vida, reverte o envelhecimento ou produz os mesmos efeitos em pessoas sem HIV, sendo necessários novos ensaios clínicos para confirmar os resultados obtidos.

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